IA já planeja viagens melhor do que muita agência: como os brasileiros estão usando a tecnologia para montar roteiros sob medida

Diego Rodríguez Velázquez Por Diego Rodríguez Velázquez
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Pesquisa do Google mostra que 23% dos viajantes já usaram inteligência artificial para planejar suas últimas viagens, e a tendência só cresce.

Planejar uma viagem costumava significar horas de pesquisa em sites diferentes, abas abertas comparando hotéis, grupos de WhatsApp pedindo dicas a amigos e, muitas vezes, a sensação de que ainda existia alguma informação importante passando despercebida. Esse processo não desapareceu completamente, mas ganhou um atalho significativo nos últimos meses: a inteligência artificial aplicada ao planejamento de viagens. Uma pesquisa do Google, baseada em mil viajantes conectados e divulgada em janeiro de 2026 pelo portal Panrotas, revelou que 23% dos viajantes brasileiros já utilizaram alguma ferramenta de IA para auxiliar na execução de tarefas durante suas viagens, e outros 11% que ainda não usaram pretendem incorporar a tecnologia em suas próximas jornadas (panrotas.com.br). Entre os que usaram, 62% classificaram a experiência como “muito útil” ou “indispensável”, sendo 48% e 14% respectivamente (panrotas.com.br).

Os principais usos registrados pela pesquisa dizem muito sobre o que os viajantes realmente precisam. O maior deles é a personalização: 30% dos usuários recorreram à IA para buscar dicas ajustadas ao seu perfil. A construção de roteiros aparece em segundo lugar, usada por 19% dos entrevistados, enquanto outros 15% usaram a tecnologia para buscar inspiração, planejar custos e resolver problemas durante a viagem, como atrasos e imprevistos (panrotas.com.br). Esse conjunto de aplicações já cobre boa parte das etapas de planejamento que antes consumiam tempo considerável do viajante.

Como as ferramentas de IA para viagens funcionam na prática

O mercado de ferramentas de inteligência artificial voltadas ao turismo cresceu de forma expressiva em 2025 e continua em expansão em 2026. Cada plataforma tem uma proposta diferente, e escolher a certa depende de qual etapa do planejamento o viajante quer automatizar. Para quem busca inspiração de destino e montagem de roteiro, ferramentas como o Mindtrip e o iplan.ai se destacam. O Mindtrip combina uma IA conversacional com fotos, mapas interativos e conteúdo criado por guias e por usuários da comunidade, o que ajuda o viajante a imaginar o destino antes de embarcar, além de permitir que múltiplas pessoas colaborem no mesmo roteiro (Fast Company Brasil; Flypass.ai).

O iplan.ai, por sua vez, foca na eficiência logística: monta planos diários detalhados, com horários, trajetos e sugestões de restaurantes próximos aos pontos turísticos, considerando a duração da estadia e os interesses do viajante, além de oferecer mapas interativos e acesso offline às informações (Fast Company Brasil). Essa otimização de deslocamentos é um diferencial prático, especialmente em destinos internacionais onde o transporte público tem rotas menos intuitivas para quem não conhece a cidade.

Para quem quer economizar em passagens, ferramentas como a Flypass.ai integram pesquisa de tarifas com programas de milhas diretamente no WhatsApp, monitorando mais de 5.600 sites e programas como Smiles, LatamPass e TudoAzul até 60 vezes por dia (Flypass.ai). O usuário define o destino e o valor máximo que aceita pagar, e o sistema envia alertas automáticos quando o preço atinge aquele patamar, comparando inclusive a opção de pagar em dinheiro ou resgatar milhas (Flypass.ai). Isso elimina a necessidade de entrar em vários sites manualmente e aumenta as chances de pegar uma promoção relâmpago que normalmente dura poucas horas.

O que a IA ainda não consegue fazer, e por que o fator humano continua importante

Apesar dos avanços, as ferramentas de IA para viagens têm limitações que os usuários precisam conhecer para não se frustrarem. A tecnologia consegue organizar logística, comparar preços e sugerir atrações populares com eficiência, mas ainda tem dificuldade com o que poderia ser chamado de contexto experiencial: saber que aquele restaurante indicado pelo algoritmo ficou famoso anos atrás mas hoje tem qualidade questionável, ou que a vista da sacada do hotel é parcialmente bloqueada por uma construção nova.

Segundo o relatório WOW! Turismo do Futuro 2026, do KAYAK, que combinou bilhões de buscas na plataforma com uma pesquisa junto a 14 mil viajantes das gerações Z e Millennial, incluindo 1.543 brasileiros, 47% dos entrevistados afirmam confiar mais nas recomendações de IA do que em amigos ou redes sociais, justamente pela capacidade da tecnologia de reunir informações de múltiplas fontes, e 31% consideram essas recomendações mais precisas e atualizadas do que uma indicação recebida por mensagem (Travel Tech Hub). Ao mesmo tempo, o relatório identificou que 87% da Geração Z e 83% dos Millennials preferem viajar para lugares que não aparecem com frequência em seus feeds, em busca de experiências mais autênticas e menos óbvias (Travel Tech Hub) — exatamente o tipo de achado que a IA ainda tem dificuldade de oferecer com consistência, por depender de dados que já circulam publicamente.

A perspectiva mais equilibrada é usar IA para o que ela faz bem, como otimizar logística, comparar preços e montar a estrutura de um roteiro, e reservar o filtro humano para as decisões que envolvem gosto pessoal, timing certo e aquelas dicas que só alguém que esteve lá recentemente pode dar com segurança. Nessa combinação, o planejamento de viagem fica mais eficiente sem perder a qualidade da experiência que faz a jornada valer a pena.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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