Levantamentos do Google e da Booking.com apontam adoção crescente da IA em roteiros, buscas de hospedagem e planejamento de orçamento.
A forma como o brasileiro organiza suas viagens está mudando com a chegada de ferramentas de inteligência artificial. Uma pesquisa do Google, batizada de “Travel Using IA on Journey”, mostrou que 23% dos viajantes já utilizaram algum recurso de IA para apoiar tarefas durante suas viagens, enquanto 11% dos que ainda não usaram pretendem incorporar a tecnologia em seus próximos planejamentos. O levantamento, feito com mil viajantes conectados, indica que a adoção segue em ritmo de crescimento.
O que os viajantes fazem com a inteligência artificial
Segundo os dados do Google, 62% dos entrevistados classificaram as ferramentas de IA como “muito úteis” ou “indispensáveis” em suas atividades de viagem. O perfil de quem mais utiliza esse tipo de recurso é ligeiramente feminino, cerca de 52% mulheres, e concentrado entre adultos jovens. Entre os usos mais comuns estão a busca de inspiração para destinos, o planejamento de custos e a resolução de imprevistos durante a viagem, empatados em 15% cada.
Um dado que chama atenção é o crescimento do uso do Gemini, ferramenta de IA do próprio Google: 27% dos viajantes que recorreram a algum recurso de inteligência artificial relataram ter usado o Gemini, um avanço de sete pontos percentuais em poucos meses. Segundo Daiane Dunka, responsável pela área de viagens do Google no Brasil, a tecnologia está se tornando um componente relevante em praticamente todas as fases da jornada, da inspiração inicial até a montagem de itinerários mais complexos.
Confiança crescente, mas decisão final ainda é humana
Um estudo global da Booking.com reforça esse movimento em direção à IA, mas com uma ressalva importante: os brasileiros ainda preferem manter o controle das decisões finais. Segundo o levantamento, quase dois terços dos brasileiros (63%) usaram ferramentas de inteligência artificial no planejamento ou durante viagens em 2025, e a expectativa é de que esse número chegue a 80% em 2026. Ainda assim, a IA tem funcionado principalmente como apoio, não como substituta do julgamento humano.
A pesquisa mostra diferenças relevantes entre gerações: entre os viajantes da Geração Z, de 18 a 28 anos, a adoção da IA em viagens chegou a 69% em 2025, enquanto na Geração X, de 45 a 60 anos, o índice foi de aproximadamente 51%. Já os millennials, de 29 a 44 anos, se mostraram mais dispostos a confiar tarefas automáticas à tecnologia, como a reserva de passagens aéreas, citada por 35% desse grupo, contra 31% da Geração X e 28% da Geração Z. Também há variação regional: no Norte do país, 71% dos viajantes usaram IA no último ano, seguidos pelo Nordeste, com 66%.
O conjunto de dados sugere que a inteligência artificial deixou de ser um recurso de nicho no turismo brasileiro e passou a integrar o dia a dia de quem organiza uma viagem, do primeiro momento de inspiração até a escolha final do voo ou da hospedagem. Para o setor de aviação e turismo, esse comportamento abre espaço para plataformas cada vez mais personalizadas, ao mesmo tempo em que reforça a importância de o consumidor continuar comparando preços e condições antes de fechar qualquer reserva.
Fontes consultadas:
Mais brasileiros estão usando a IA para planejar viagens, aponta Google (PANROTAS)
Brasileiros adotam IA no planejamento de viagens, aponta estudo da Booking.com