O que explica o avanço imobiliário em Roraima?

Guilherme Campos
Cesar Valmora Por Cesar Valmora
5 Min de leitura

Guilherme Campos acompanha um mercado imobiliário que iniciou 2026 em forte movimentação, especialmente em Boa Vista. No primeiro trimestre, o setor movimentou mais de R$ 206 milhões, alta de 110% em relação ao mesmo período de 2025, conforme o 11º Censo do Mercado Imobiliário de Boa Vista. O resultado mostra que a expansão do setor está ligada a transformações mais amplas na economia, na demanda por imóveis e na ocupação urbana de Roraima.

Leia mais a seguir!

A demanda por imóveis está mudando?

O avanço das vendas não acontece apenas porque existem mais imóveis disponíveis. Ele também reflete mudanças na demanda por moradia, nos padrões de ocupação da cidade e nas expectativas de famílias e investidores. Em 2024, Boa Vista já havia registrado crescimento de 80% no número de unidades lançadas em relação ao ano anterior, enquanto as vendas chegaram a 4.280 unidades. 

Guilherme Campos observa esse movimento a partir da relação entre crescimento urbano e necessidade de novos espaços. Quando a população, os empregos e os serviços se expandem, aumenta a procura por diferentes tipos de imóveis, desde residências até terrenos e empreendimentos destinados a novas áreas da cidade. Esse processo tende a criar novas demandas conforme diferentes regiões passam a concentrar atividades e receber investimentos.

Essa mudança também ajuda a explicar por que o mercado imobiliário não pode ser analisado apenas pelos preços. A quantidade de lançamentos, o ritmo de vendas, o estoque disponível e o perfil dos compradores revelam se determinada expansão está sendo absorvida pelo mercado ou se existe excesso de oferta. A leitura conjunta desses indicadores permite compreender melhor o equilíbrio entre o que está sendo construído e aquilo que efetivamente encontra demanda.

Por que Boa Vista ganhou força?

Um dos elementos mais relevantes do cenário atual é a capacidade de absorção do mercado. Dados divulgados no início de 2026 mostraram que Boa Vista encerrou 2025 com vendas aquecidas e estoque controlado, enquanto a intenção de compra permaneceu positiva para o ano seguinte. Esse cenário indica que a procura continua relevante mesmo diante da entrada de novos empreendimentos no mercado.

Guilherme Campos
Guilherme Campos

Para o empresário Guilherme Campos, esse equilíbrio é importante porque reduz a distância entre novos lançamentos e demanda efetiva. Um mercado pode apresentar grande quantidade de projetos, mas é a capacidade de comercialização que indica se existe espaço para a continuidade desse ciclo. Quando os imóveis encontram compradores em ritmo consistente, o setor ganha melhores condições para planejar novos projetos e acompanhar a expansão das cidades.

O que a expansão urbana tem a ver com os imóveis?

O mercado imobiliário acompanha diretamente a transformação física das cidades. Quando novas regiões recebem infraestrutura, comércio, serviços e acessos, elas passam a reunir condições para receber moradores e atividades econômicas, ampliando as possibilidades de desenvolvimento fora dos eixos tradicionalmente ocupados. Esse movimento pode criar novas centralidades urbanas e distribuir de maneira diferente a demanda por imóveis dentro da cidade.

Guilherme Campos relaciona essa dinâmica ao papel do planejamento nos projetos imobiliários. O potencial de um terreno não depende somente de sua dimensão, mas também de como ele se conecta ao crescimento urbano e às necessidades que surgem ao redor. Essa leitura ajuda a compreender por que determinadas áreas passam a despertar interesse antes mesmo de estarem completamente consolidadas. A análise do entorno, dos acessos e das perspectivas de ocupação permite avaliar melhor como o espaço pode se integrar à evolução da cidade.

O avanço do mercado também pode mudar a própria paisagem de Boa Vista. O crescimento horizontal continua relevante, mas empreendimentos verticais começam a ganhar espaço, sinalizando uma diversificação das formas de ocupação da capital. Essa mudança amplia as alternativas de moradia e pode contribuir para uma ocupação mais diversificada em regiões que passam por processos de valorização e adensamento.

Acompanhe Guilherme Campos no Instagram @guicamposvlg.

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