Como CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim esclarece que a pressão por prazos mais curtos mudou a lógica de decisão nos canteiros brasileiros. Galpões logísticos precisam entrar em operação em poucos meses para acompanhar o ritmo do e-commerce, redes varejistas disputam pontos comerciais com cronogramas apertados e a indústria exige ampliações que não podem parar a produção.
O avanço não acontece por acaso. A combinação entre escassez de mão de obra qualificada, custo crescente de imobilização de capital e demanda por previsibilidade tornou o aço uma resposta objetiva a problemas que o método construtivo tradicional resolve com mais dificuldade. Quando cada semana de atraso representa aluguel não faturado ou produção parada, a velocidade de montagem vira argumento financeiro, não apenas técnico.
Há ainda um componente estrutural nessa mudança: a industrialização da construção. O setor caminha para transferir etapas do canteiro para a fábrica, e a estrutura metálica é, hoje, o sistema mais maduro para essa transição no Brasil. Prossiga a leitura e veja que entender por que isso ocorre ajuda a explicar o que vem pela frente em projetos industriais e comerciais.
Precisão de fábrica e menos improviso no canteiro
Outro fator decisivo é a previsibilidade. Peças produzidas sob projeto executivo detalhado, com tolerâncias milimétricas, reduzem retrabalho e eliminam boa parte dos ajustes improvisados que consomem tempo e orçamento nas obras convencionais. O canteiro se torna um local de montagem, mais limpo, com menos resíduos e menor exposição de trabalhadores a atividades de risco.
Esse ganho de controle interessa especialmente a empresas que executam obras para clientes corporativos, nas quais o contrato prevê multas por atraso e auditorias rigorosas de qualidade. A partir do que analisa Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, a padronização trazida pela fabricação fora do canteiro é um dos caminhos mais concretos para reduzir a variabilidade que historicamente penaliza a construção brasileira.
Quais setores puxam a demanda por aço na construção?
O boom logístico é o motor mais visível. A expansão do comércio eletrônico consolidou a construção de galpões e centros de distribuição como um dos segmentos mais aquecidos do mercado imobiliário, e praticamente todo esse estoque novo é erguido sobre estrutura metálica, pela necessidade de grandes vãos livres, pé-direito elevado e flexibilidade de layout.

Elmar Juan Passos Varjão Bomfim destaca que o varejo físico segue lógica parecida: supermercados, atacarejos e lojas de material de construção multiplicam unidades com projetos padronizados, replicáveis e de execução rápida. Na indústria, ampliações de fábricas, usinas e unidades agroindustriais se beneficiam da possibilidade de montar estruturas sem interromper linhas de produção vizinhas. Até o setor de energia entra na conta, com suportes metálicos para sistemas fotovoltaicos e coberturas que integram geração solar ao próprio edifício.
Os desafios que ainda limitam a expansão
Seria ingênuo tratar o avanço do aço como caminho sem obstáculos. A volatilidade do preço do insumo, sujeita a ciclos internacionais, exige estratégias de compra e contratos bem estruturados para não corroer margens. A mão de obra de montagem, embora menor em volume, precisa ser mais especializada, e a engenharia de detalhamento demanda projetistas experientes, ainda escassos em várias regiões do país.
Há também um desafio cultural. Parte dos incorporadores e construtores brasileiros aprendeu a orçar e gerenciar obras em concreto, e a migração para sistemas industrializados exige mudança de processos, de planejamento e até de forma de contratar. Sendo ex-presidente da OAS, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim tem apontado que a decisão pelo sistema construtivo precisa ser tomada na fase de concepção do empreendimento, porque adaptações tardias anulam boa parte dos ganhos de prazo e custo que o aço oferece.
O que esperar da próxima década de obras industriais?
Tudo indica que a participação das estruturas metálicas na construção civil brasileira seguirá crescendo, puxada pela expansão logística, pelos investimentos em infraestrutura e pela necessidade de construir mais rápido com equipes menores. O país ainda utiliza proporcionalmente menos aço na construção do que economias maduras, o que sugere espaço relevante de avanço à medida que a industrialização ganha escala.
O ritmo dessa transição dependerá da capacidade do setor de formar mão de obra, estabilizar cadeias de fornecimento e difundir cultura de planejamento desde a concepção dos projetos. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim conclui que o movimento em curso não é uma moda de mercado, mas parte de uma mudança mais ampla na forma de produzir edifícios no Brasil, na qual previsibilidade, velocidade e sustentabilidade deixam de ser diferenciais e se tornam requisitos básicos de qualquer empreendimento industrial ou comercial competitivo.