Passagem aérea sobe 11% em um ano: por que viajar de avião ficou mais caro em 2026

Passagem aérea sobe 11% em um ano: por que viajar de avião ficou mais caro em 2026
Diego Rodríguez Velázquez Por Diego Rodríguez Velázquez
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Alta do querosene de aviação pressiona tarifas domésticas e reduz o poder de compra de quem planeja viajar no segundo semestre.

Viajar de avião dentro do Brasil está custando mais caro em 2026, e o motivo principal está longe dos aeroportos: fica nas refinarias de petróleo. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a tarifa média dos voos domésticos chegou a R$ 632,53 em maio, um avanço de 11,2% em relação ao mesmo mês de 2025, quando o valor médio era R$ 568,96. O principal responsável por essa escalada é o querosene de aviação, o QAV, combustível que representa cerca de 46% dos custos operacionais das companhias aéreas e que acumulou alta de 68,5% em doze meses, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para quem já sentiu o aperto no orçamento ao pesquisar passagens, os números confirmam uma percepção real: o transporte aéreo ficou mais pesado no bolso, mesmo com o número de passageiros em alta.

O que está por trás do aumento das passagens

O aumento do preço do QAV tem uma origem específica e recente. Em abril, a Petrobras anunciou um reajuste médio de 55% no combustível, decisão ligada à escalada do preço internacional do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio, que envolveram Estados Unidos, Israel e Irã. A companhia optou por não repassar o aumento de uma só vez: aplicou 18% no primeiro momento e parcelou o restante ao longo dos meses seguintes, medida que ajudou a suavizar o impacto imediato nas tarifas aéreas.

O presidente da Anac, Tiago Chagas, afirmou em entrevista à Rádio Nacional que as ações do governo federal, somadas à decisão da Petrobras, conseguiram conter parte da pressão sobre os preços. Segundo ele, sem essas medidas, o reajuste nas passagens poderia ter chegado a 20% ou 30%, em vez de ficar na faixa de 10% a 12% observada até agora. Entre as iniciativas adotadas estão a zeragem dos impostos PIS e Cofins sobre o setor e a abertura de uma linha de crédito para aliviar o caixa das companhias aéreas, de forma que elas não precisassem repassar todo o custo extra do combustível diretamente ao consumidor. Ainda assim, o efeito da alta do petróleo continua sendo sentido, já que o QAV chegou a subir 87,3% entre fevereiro e maio deste ano.

Como o aumento afeta quem viaja no dia a dia

Apesar da alta média, os dados da Anac mostram que o cenário não é uniforme para todos os perfis de viajante. Quase metade das passagens vendidas em maio, 49,1%, custou menos de R$ 500, enquanto apenas 5,4% dos bilhetes ultrapassaram R$ 1.500. Isso significa que, com planejamento e antecedência na compra, ainda é possível encontrar tarifas mais acessíveis, mesmo em um mês de reajuste generalizado. A diferença entre o valor médio divulgado e o que cada passageiro efetivamente paga depende de fatores como rota, época do ano e antecedência da reserva.

O movimento nos aeroportos também segue crescendo, o que indica que a demanda por viagens aéreas resiste à alta de preços. Em maio, as companhias transportaram 8,319 milhões de passageiros em voos domésticos, um crescimento de 1,9% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Latam e Gol lideraram essa expansão, enquanto a Azul registrou queda de 5,9% no volume de passageiros, uma redução de aproximadamente 148 mil pessoas transportadas em relação a maio de 2025. Para famílias que precisam comprar várias passagens de ida e volta, a conta pode ultrapassar facilmente R$ 5 mil, sem contar hospedagem e alimentação, o que reforça a importância de acompanhar o mercado antes de fechar a compra.

Diante desse cenário, especialistas do setor recomendam atenção redobrada ao calendário de promoções. Datas de aniversário de companhias aéreas e programas de fidelidade, como Latam Pass, Smiles e Livelo, costumam concentrar ofertas relevantes ao longo do ano, assim como períodos tradicionais de queima de estoque, caso da Black Friday em novembro. Comprar com antecedência e comparar diferentes datas de embarque continua sendo a estratégia mais eficaz para quem quer escapar da tarifa média e economizar mesmo em um ano de reajustes no setor aéreo.

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