Nova operação começa em setembro, poderá reduzir impactos de chuva e neblina e cria mudanças importantes na rotina do aeroporto paulistano.
O Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, vai entrar em uma nova fase operacional a partir de 15 de setembro de 2026. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) definiu regras para permitir operações por instrumentos, conhecidas pela sigla IFR, durante uma janela específica no início da manhã. A mudança foi detalhada em uma Circular de Informação Aeronáutica publicada em 24 de agosto e estabelece que os voos IFR ocorrerão das 6h às 6h59, com limite de quatro movimentos por dia. Durante esse período, as operações realizadas apenas com referência visual ficam proibidas, salvo exceções para missões de segurança pública e transporte aeromédico. (UOL Notícias) Para quem viaja ou utiliza a aviação executiva na capital paulista, a novidade pode parecer técnica, mas tem efeito bastante concreto: ela modifica as condições em que aeronaves poderão pousar e decolar quando a visibilidade estiver comprometida.
O que muda no Campo de Marte a partir de setembro?
A principal novidade será a possibilidade de realizar determinados pousos e decolagens utilizando instrumentos de navegação e procedimentos publicados, em vez de depender exclusivamente daquilo que o piloto consegue enxergar a partir da cabine. Hoje, o Campo de Marte opera com voos visuais, o que cria limitações quando chuva, nuvens baixas, neblina ou outras condições reduzem a visibilidade. A implementação do IFR busca justamente criar uma alternativa operacional para situações meteorológicas adversas, permitindo que aeronaves habilitadas sigam procedimentos controlados de aproximação e saída. Segundo o Decea, entretanto, a nova capacidade não transformará o aeroporto em uma estrutura IFR aberta durante todo o dia: a operação ficará restrita a apenas 59 minutos, entre 6h e 6h59, todos os dias. (UOL Notícias)
Outro detalhe importante é o limite de quatro movimentos IFR diários, sob regime de slots. Isso significa que a mudança não representa uma liberação geral para que qualquer aeronave passe a utilizar instrumentos naquele período. A medida foi desenhada dentro de uma lógica de segurança e capacidade do controle de tráfego aéreo da região, considerando inclusive a operação do Aeroporto de Congonhas. Todos os procedimentos IFR definidos para o Campo de Marte, incluindo chegadas, saídas e aproximações, foram desenvolvidos especificamente para a pista 12. (Folha de S.Paulo) Na prática, o passageiro ou operador que utilizar o aeroporto deverá continuar verificando horários, autorizações e condições operacionais antes do voo, porque a existência do procedimento não elimina restrições decorrentes de capacidade, meteorologia ou controle de tráfego. A mudança melhora a flexibilidade operacional, mas não transforma o Campo de Marte em um aeroporto comercial convencional.
Essa mudança pode melhorar as viagens em dias de chuva?
A maior vantagem potencial está justamente nos momentos em que o clima costuma atrapalhar operações exclusivamente visuais. Uma aeronave que antes poderia precisar aguardar melhora da visibilidade poderá, quando autorizada e dentro das regras, utilizar procedimentos baseados em instrumentos para realizar sua operação. Isso pode ser relevante principalmente para a aviação executiva, táxi aéreo, voos corporativos, aeronaves de treinamento habilitadas e outros segmentos que utilizam o Campo de Marte. A mudança também cria maior previsibilidade para quem precisa programar deslocamentos com horário definido e hoje está mais exposto a interrupções causadas por condições meteorológicas. Reportagens sobre a decisão destacaram justamente a possibilidade de o aeroporto operar com maior resiliência em dias nublados ou chuvosos. (UOL Notícias)
É importante, porém, não interpretar o IFR como uma garantia contra atrasos. Chuva forte, tempestades, vento, baixa visibilidade extrema, limitações de infraestrutura e decisões do controle de tráfego continuam podendo afetar um voo. Além disso, a operação IFR ficará concentrada em uma janela muito curta e terá somente quatro movimentos disponíveis por dia, o que limita sua capacidade de absorver uma grande demanda. Para quem possui uma viagem marcada a partir do Campo de Marte, a recomendação continua sendo acompanhar as condições do voo junto ao operador e prever margem de tempo, especialmente em períodos de instabilidade meteorológica. A novidade representa uma ferramenta adicional de segurança e regularidade, não uma promessa de funcionamento ininterrupto independentemente do clima.
O Campo de Marte vai receber mais voos comerciais?
Essa é uma das dúvidas mais importantes, porque a notícia pode dar a impressão de que o aeroporto passará a concorrer diretamente com Congonhas ou Guarulhos nas viagens regulares. Não é isso que a nova regra determina. O Campo de Marte é utilizado principalmente pela aviação geral, executiva, escolas de aviação e operações especializadas, e a implantação dos procedimentos IFR foi estruturada dentro desse perfil. O limite de quatro movimentos IFR por dia também mostra que a intenção não é criar uma grande expansão imediata da oferta de voos comerciais regulares. A mudança está relacionada à capacidade operacional e à segurança da navegação aérea, e não a um anúncio de novas rotas de companhias aéreas para destinos turísticos. (Folha de S.Paulo)
Ainda assim, o efeito indireto pode ser relevante para a mobilidade aérea paulistana. Um aeroporto capaz de operar com procedimentos por instrumentos, ainda que em uma janela limitada, ganha uma alternativa adicional para determinados perfis de voo e pode ter maior previsibilidade em algumas situações. O Campo de Marte também está inserido em uma região estratégica da capital e sua operação interfere no planejamento do espaço aéreo da Terminal São Paulo. As novas regras foram desenhadas justamente para evitar que a atividade do aeroporto prejudique a capacidade operacional de Congonhas, um dos principais terminais aéreos do país. (Folha de S.Paulo) Portanto, a novidade deve ser entendida como uma evolução específica da infraestrutura existente, e não como o nascimento de um novo grande hub comercial.
A implementação dos voos por instrumentos no Campo de Marte é uma mudança técnica com potencial de produzir efeitos práticos para a aviação de São Paulo. A partir de 15 de setembro, haverá uma janela diária entre 6h e 6h59 na qual poderão ocorrer até quatro movimentos IFR, seguindo procedimentos específicos e controle de tráfego. (UOL Notícias) Para o viajante, o principal ganho está na possibilidade de maior previsibilidade para determinadas operações quando o clima comprometer a visibilidade. Mas não será uma solução universal para atrasos ou cancelamentos, e o aeroporto continuará operando dentro de limites bastante específicos. Quem tiver voo ou compromisso envolvendo o Campo de Marte deve acompanhar as orientações do operador e as condições meteorológicas. A novidade reforça, sobretudo, como mudanças técnicas na infraestrutura aérea podem melhorar gradualmente a segurança e a regularidade das viagens.