Relatório da ANAC confirma reajuste em abril de 2026, mas estratégias certas ainda permitem encontrar tarifas acessíveis para destinos brasileiros.
Quem estava esperando uma queda nos preços das passagens aéreas para planejar a viagem do segundo semestre vai precisar revisar as expectativas. A Agência Nacional de Aviação Civil registrou um aumento de 9% nas tarifas nacionais em abril de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, com a tarifa média alcançando R$ 669,41 por trecho (Mercado&Eventos, com dados da Anac). O dado reflete uma combinação de fatores que já vinham pressionando o setor: demanda alta, aviões partindo cheios e o querosene de aviação (QAV) com alta de 40,7% no mesmo período (Instituto Brasileiro de Aviação, com dados da Anac). A perspectiva de novas companhias entrando no mercado também não se concretizou no curto prazo, o que mantém a competição entre GOL, LATAM e Azul como principal motor de variação de preços, segundo análise do portal Melhores Destinos (melhoresdestinos.com.br).
Para quem já tem data marcada ou destino definido, o momento exige atenção redobrada. A boa notícia é que o mercado ainda oferece brechas para quem souber jogar com antecedência, flexibilidade de datas e campanhas promocionais pontuais. Entender como esse mercado funciona é o primeiro passo para não pagar mais do que o necessário.
Por que os preços das passagens variam tanto e como isso afeta o planejamento
O valor de uma passagem aérea não é fixo como o preço de um produto em prateleira. As companhias utilizam um sistema de gestão de receita que distribui os assentos de cada voo em blocos de tarifas diferentes, vendidos progressivamente conforme a ocupação aumenta e a data do voo se aproxima. Em abril de 2026, por exemplo, 45,2% dos assentos comercializados no Brasil ficaram abaixo de R$ 500, enquanto 6,2% foram vendidos por mais de R$ 1,5 mil, segundo dados da Anac (Tribuna do Sertão, com dados da Anac). Isso mostra que dois passageiros no mesmo avião podem ter pago valores bem diferentes pelo mesmo trecho, dependendo de quando compraram o bilhete.
Esse modelo favorece o viajante planejado e prejudica quem decide viajar de última hora. Segundo o Melhores Destinos, a regra criada por Leonardo Marques, fundador do portal, recomenda comprar voos internacionais com 3 a 6 meses de antecedência e voos nacionais entre 30 e 60 dias antes da viagem, com exceção dos períodos de alta temporada, quando o ideal é antecipar a compra para 6 a 9 meses antes da data pretendida (melhoresdestinos.com.br).
Outro fator que os consumidores frequentemente ignoram é o dia da semana na hora de comprar e o horário do embarque. Voos em horários menos concorridos e datas fora dos períodos de férias escolares e feriados prolongados tendem a ter tarifas mais acessíveis. Combinar essas variáveis com a busca em datas flexíveis pode gerar economias expressivas, especialmente em rotas populares como São Paulo para Recife, Rio de Janeiro para Fortaleza ou Brasília para Florianópolis.
Os meses mais baratos para viajar no Brasil em 2026 e os destinos que valem a pena
Há uma lógica sazonal bem conhecida no turismo nacional que continua valendo em 2026: viajar fora dos períodos de alta temporada pode reduzir significativamente o custo total da viagem, não só nas passagens, mas também na hospedagem e nos passeios. Segundo levantamento do Onhappy, os meses de abril a junho e agosto a novembro costumam apresentar tarifas mais acessíveis para a maioria dos destinos nacionais, com menor fluxo de turistas e mais opções disponíveis nos meios de hospedagem (onhappy.com.br).
Maragogi, em Alagoas, frequentemente comparada ao Caribe brasileiro pela beleza das piscinas naturais, oferece uma experiência de alto impacto por um custo inferior ao de Fernando de Noronha, com baixa temporada concentrada justamente entre abril e junho e agosto e novembro (onhappy.com.br). Porto de Galinhas, em Pernambuco, segue entre os destinos mais queridos do país, mas ainda guarda oportunidades econômicas fora dos períodos de férias escolares, com muitos passeios gratuitos, como as caminhadas nas piscinas naturais durante a maré baixa (onhappy.com.br). A capital paraibana, João Pessoa, também vem ganhando destaque entre os destinos nacionais econômicos, combinando praias urbanas bem estruturadas com preços mais acessíveis do que capitais vizinhas como Recife e Natal (onhappy.com.br).
Para quem considera viajar ao exterior, os destinos tradicionais continuam sendo os mais procurados pelos brasileiros. Segundo levantamento do Ministério do Turismo, Orlando, Lisboa, Madri, Santiago, Buenos Aires e Paris lideram as preferências, seguidos por Roma, Punta Cana, Cancún e Tóquio (gov.br/turismo). Mas há oportunidades menos óbvias surgindo no radar, especialmente para quem aceita fazer conexões e abrir mão dos voos diretos em troca de tarifas menores.
Como usar promoções e ferramentas de monitoramento sem perder tempo nem dinheiro
As campanhas promocionais das companhias aéreas seguem um calendário relativamente previsível, atrelado a aniversários corporativos e datas comemorativas. Segundo o calendário de promoções do Melhores Destinos, abril concentra o aniversário da Azul Viagens, que costuma trazer boas ofertas em pacotes, enquanto o aniversário da CVC, em 28 de maio, também tende a gerar promoções que se estendem por vários dias no mês (melhoresdestinos.com.br). Essas janelas são oportunidades para quem acumula milhas de cartão de crédito transferi-las com bônus e emitir passagens por um custo real menor.
A forma mais eficiente de não perder uma promoção relâmpago é utilizar uma ferramenta de monitoramento de passagens. O Skyscanner permite configurar alertas para voos específicos ou para destinos em geral, além de oferecer a função “Explorar qualquer lugar” para quem ainda não tem destino definido (O Liberal). O Google Voos também conta com um recurso de monitoramento de preço que notifica o usuário quando surge uma oferta no trajeto desejado, disponível tanto na versão web quanto no aplicativo (O Liberal). Já o aplicativo do Melhores Destinos envia notificações diárias das melhores promoções de passagens nacionais e internacionais, com um sistema próprio de monitoramento de preços 24 horas por dia (Melhores Destinos, App Store). Essas ferramentas eliminam a necessidade de entrar nos sites das companhias todos os dias e reduzem o risco de perder uma promoção que dura apenas algumas horas.
Uma dica frequentemente subestimada é a comparação entre passagens compradas com dinheiro e emissões por milhas. Em 2026, os valores de referência para um milheiro considerado um bom negócio são de R$ 13,00 no Azul Fidelidade, R$ 16,00 no Smiles e R$ 25,00 no LatamPass; quando o custo da passagem em dinheiro fica bem acima desses valores convertidos em milhas, vale a pena resgatar pontos em vez de pagar à vista (Viajando Barato pelo Mundo). Fazer essa conta antes de decidir qual caminho seguir é uma prática que os viajantes mais experientes nunca dispensam.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez