O Brasil avançou na preparação para receber aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, conhecidas pela sigla eVTOL. Em reunião realizada em 21 de setembro de 2026, representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, da Secretaria Nacional de Aviação Civil, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e da Eve Air Mobility discutiram as condições necessárias para o início das operações no país.
De acordo com as previsões apresentadas pela Eve e pela Anac, os primeiros voos comerciais com esse tipo de aeronave poderão ocorrer em 2028, desde que os processos de certificação sejam concluídos. A informação foi divulgada em 22 de setembro pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
O que falta para os eVTOLs começarem a operar
A chegada dos eVTOLs ao transporte de passageiros depende de uma estrutura regulatória e operacional que ainda está em desenvolvimento. Além da certificação da aeronave, o planejamento envolve regras para circulação, controle do espaço aéreo, segurança operacional e integração com aeroportos já existentes.
Também será necessário criar ou adaptar locais específicos para pousos e decolagens, conhecidos como vertiportos. Essas instalações deverão fazer parte da organização das operações e permitir a conexão entre áreas urbanas, aeroportos e outros pontos de interesse. A definição de como essa infraestrutura será implantada está entre os temas discutidos pelas autoridades e pela empresa.
O envolvimento de diferentes órgãos públicos mostra que a operação dos eVTOLs não depende apenas da aprovação de um novo modelo de aeronave. A Anac participa dos processos de certificação e das regras de segurança, enquanto o Decea está relacionado ao gerenciamento do espaço aéreo. O Ministério de Portos e Aeroportos e a Secretaria Nacional de Aviação Civil tratam da preparação institucional e da integração com a infraestrutura aeroportuária.
Certificação do EVE-100 está em discussão
A Eve Air Mobility, empresa ligada à Embraer, desenvolve o modelo EVE-100, apresentado como uma das principais apostas para o início desse novo tipo de transporte no Brasil. Em 21 de julho de 2026, a Anac abriu consultas setoriais sobre os critérios de aeronavegabilidade e de certificação de ruído aplicáveis ao eVTOL.
Segundo a Anac, os regulamentos existentes não se aplicam diretamente às características do EVE-100. Por isso, a agência avalia critérios específicos para analisar a segurança e o desempenho da aeronave, além dos níveis de ruído produzidos durante sua operação.
Essa etapa é essencial antes que qualquer serviço comercial seja oferecido ao público. Embora o debate seja frequentemente associado à ideia de “carros voadores”, os eVTOLs são aeronaves e precisam atender a exigências de certificação e segurança compatíveis com a aviação. A previsão de voos em 2028, portanto, não representa uma operação já disponível, mas uma possibilidade condicionada à conclusão dos procedimentos necessários.
Trajeto entre São Paulo e Guarulhos pode levar cerca de 12 minutos
Durante as discussões, a Eve apresentou uma projeção de deslocamento entre a Zona Sul de São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos. De acordo com a empresa, o percurso poderia ser realizado em aproximadamente 12 minutos com o EVE-100, enquanto o deslocamento terrestre atualmente pode levar de uma a duas horas.
A estimativa deve ser entendida como uma projeção da companhia, e não como uma rota em funcionamento ou um serviço já comercializado. Para que uma conexão desse tipo se torne realidade, ainda será preciso definir a infraestrutura de embarque e desembarque, a operação do espaço aéreo, os procedimentos de segurança e a forma de integração com os terminais aeroportuários.
Possível impacto para passageiros
Se os processos avançarem conforme o cronograma previsto, os eVTOLs poderão criar uma alternativa para deslocamentos entre regiões urbanas e aeroportos. Em cidades com tráfego intenso, a tecnologia poderá reduzir o tempo gasto no acesso aos terminais, especialmente em trajetos que hoje dependem exclusivamente das vias terrestres.
O início das operações, porém, dependerá de decisões regulatórias e de investimentos em infraestrutura. A certificação do EVE-100, a implantação dos vertiportos e a definição das regras de circulação serão etapas determinantes para transformar as projeções em voos comerciais. Por enquanto, o Brasil está na fase de preparação para que o eVTOL no Brasil possa operar dentro de parâmetros reconhecidos de segurança e controle.
As consultas regulatórias e as reuniões entre governo, órgãos de aviação e empresas indicam que a tecnologia já entrou na agenda oficial do setor. A expectativa de 2028 permanece vinculada à conclusão dessas etapas, sem garantia de que os serviços estarão disponíveis em todas as cidades ou aeroportos nessa data.