Cada vez mais brasileiros usam inteligência artificial para planejar suas viagens, mostram pesquisas recentes

Cada vez mais brasileiros usam inteligência artificial para planejar suas viagens, mostram pesquisas recentes
Diego Rodríguez Velázquez Por Diego Rodríguez Velázquez
4 Min de leitura

Levantamentos do Google e da Booking.com apontam adoção crescente da IA em roteiros, buscas de hospedagem e planejamento de orçamento.

A forma como o brasileiro organiza suas viagens está mudando com a chegada de ferramentas de inteligência artificial. Uma pesquisa do Google, batizada de “Travel Using IA on Journey”, mostrou que 23% dos viajantes já utilizaram algum recurso de IA para apoiar tarefas durante suas viagens, enquanto 11% dos que ainda não usaram pretendem incorporar a tecnologia em seus próximos planejamentos. O levantamento, feito com mil viajantes conectados, indica que a adoção segue em ritmo de crescimento.

O que os viajantes fazem com a inteligência artificial

Segundo os dados do Google, 62% dos entrevistados classificaram as ferramentas de IA como “muito úteis” ou “indispensáveis” em suas atividades de viagem. O perfil de quem mais utiliza esse tipo de recurso é ligeiramente feminino, cerca de 52% mulheres, e concentrado entre adultos jovens. Entre os usos mais comuns estão a busca de inspiração para destinos, o planejamento de custos e a resolução de imprevistos durante a viagem, empatados em 15% cada.

Um dado que chama atenção é o crescimento do uso do Gemini, ferramenta de IA do próprio Google: 27% dos viajantes que recorreram a algum recurso de inteligência artificial relataram ter usado o Gemini, um avanço de sete pontos percentuais em poucos meses. Segundo Daiane Dunka, responsável pela área de viagens do Google no Brasil, a tecnologia está se tornando um componente relevante em praticamente todas as fases da jornada, da inspiração inicial até a montagem de itinerários mais complexos.

Confiança crescente, mas decisão final ainda é humana

Um estudo global da Booking.com reforça esse movimento em direção à IA, mas com uma ressalva importante: os brasileiros ainda preferem manter o controle das decisões finais. Segundo o levantamento, quase dois terços dos brasileiros (63%) usaram ferramentas de inteligência artificial no planejamento ou durante viagens em 2025, e a expectativa é de que esse número chegue a 80% em 2026. Ainda assim, a IA tem funcionado principalmente como apoio, não como substituta do julgamento humano.

A pesquisa mostra diferenças relevantes entre gerações: entre os viajantes da Geração Z, de 18 a 28 anos, a adoção da IA em viagens chegou a 69% em 2025, enquanto na Geração X, de 45 a 60 anos, o índice foi de aproximadamente 51%. Já os millennials, de 29 a 44 anos, se mostraram mais dispostos a confiar tarefas automáticas à tecnologia, como a reserva de passagens aéreas, citada por 35% desse grupo, contra 31% da Geração X e 28% da Geração Z. Também há variação regional: no Norte do país, 71% dos viajantes usaram IA no último ano, seguidos pelo Nordeste, com 66%.

O conjunto de dados sugere que a inteligência artificial deixou de ser um recurso de nicho no turismo brasileiro e passou a integrar o dia a dia de quem organiza uma viagem, do primeiro momento de inspiração até a escolha final do voo ou da hospedagem. Para o setor de aviação e turismo, esse comportamento abre espaço para plataformas cada vez mais personalizadas, ao mesmo tempo em que reforça a importância de o consumidor continuar comparando preços e condições antes de fechar qualquer reserva.

Fontes consultadas:
Mais brasileiros estão usando a IA para planejar viagens, aponta Google (PANROTAS)
Brasileiros adotam IA no planejamento de viagens, aponta estudo da Booking.com

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