Classificação ANBIMA orienta a decisão de investidores em fundos estruturados, avalia Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM

ID CTVM
Cesar Valmora Por Cesar Valmora
7 Min de leitura

O sistema de categorização mantido pela associação que reúne as principais instituições do mercado financeiro brasileiro, segundo a ID CTVM, organiza fundos estruturados por estratégia e perfil de risco, funcionando como referência comparativa para investidores institucionais

Além da regulamentação estabelecida pela Comissão de Valores Mobiliários, a indústria de fundos de investimento no Brasil conta com um sistema complementar de autorregulação mantido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, entidade que reúne as principais instituições do mercado financeiro nacional. Entre os instrumentos desenvolvidos por essa associação, a classificação de fundos por categoria e subcategoria ocupa papel relevante ao organizar veículos de investimento, incluindo fundos estruturados como os FIDCs, conforme sua estratégia de atuação e seu perfil de risco predominante.

Essa classificação, ainda que não substitua a análise individual e aprofundada de cada operação específica, funciona como um primeiro filtro de comparabilidade para investidores que avaliam diferentes fundos estruturados disponíveis no mercado, permitindo identificar, de forma padronizada, veículos com estratégias e perfis de risco semelhantes entre si, independentemente da gestora ou do administrador fiduciário responsável por cada operação.

Metodologia considera composição de carteira e estratégia declarada

A metodologia utilizada para classificar um fundo estruturado leva em consideração fatores como a composição predominante de sua carteira de recebíveis, o perfil de risco de crédito assumido pela operação e a estratégia declarada pelo gestor no regulamento do fundo, elementos que, combinados, determinam em qual categoria e subcategoria aquele veículo específico deve ser enquadrado dentro do sistema de classificação mantido pela associação. Esse enquadramento é revisado periodicamente, de forma a refletir eventuais mudanças na estratégia efetivamente adotada pelo fundo ao longo de sua existência.

Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, a classificação correta de um fundo estruturado é um elemento importante tanto para a comparabilidade entre diferentes operações quanto para a adequação da oferta ao perfil de cada investidor.

“A classificação ajuda o investidor a entender, de forma rápida, em que tipo de estratégia aquele fundo se enquadra antes mesmo de se aprofundar na leitura do regulamento completo da operação. Isso é especialmente relevante no processo de suitability, porque permite comparar fundos de categorias semelhantes entre diferentes gestoras, facilitando uma análise mais criteriosa por parte do investidor ou de seu assessor de investimentos antes de tomar uma decisão de alocação”, explica o executivo.

A ID CTVM acompanha o processo de classificação dos fundos estruturados sob sua administração fiduciária, assegurando que o enquadramento declarado esteja alinhado à estratégia efetivamente adotada por cada operação ao longo do tempo.

Revisão periódica evita desalinhamento entre categoria e estratégia real

A revisão periódica da classificação de um fundo estruturado é particularmente importante em operações que passam por mudanças relevantes em sua estratégia de originação ao longo do tempo, uma vez que um fundo classificado inicialmente em determinada categoria pode, com o passar dos anos, passar a concentrar sua carteira em um perfil de recebíveis distinto do que originalmente caracterizava aquela classificação, o que exigiria uma reclassificação para manter a comparabilidade adequada perante outros investidores do mercado.

Esse desalinhamento entre categoria declarada e estratégia real, quando não corrigido tempestivamente, pode gerar expectativas equivocadas por parte de investidores que confiam na classificação como um resumo confiável do perfil de risco de determinada operação, o que reforça a importância de um acompanhamento contínuo por parte do administrador fiduciário sobre a aderência entre a carteira efetiva do fundo e sua categoria formalmente declarada.

Comparação entre categorias auxilia investidores institucionais qualificados

Investidores institucionais que avaliam simultaneamente múltiplas oportunidades de alocação em fundos estruturados costumam utilizar a classificação como ponto de partida para agrupar operações comparáveis antes de avançar para uma análise mais detalhada de cada regulamento específico, prática que reduz o tempo necessário para uma triagem inicial dentro de um universo amplo de fundos disponíveis no mercado. Essa utilização prática da classificação como ferramenta de triagem reforça a importância de sua atualização constante por parte das gestoras e administradores fiduciários responsáveis por cada operação.

Consultores e assessores de investimento também recorrem à classificação como referência ao apresentar diferentes alternativas de fundos estruturados a seus clientes, utilizando essa categorização como um vocabulário comum que facilita a comunicação sobre o perfil de risco de cada operação, mesmo para investidores com menor familiaridade técnica com os detalhes específicos de estruturação de um FIDC. Essa padronização de linguagem entre gestoras, administradores fiduciários e canais de distribuição contribui, de forma indireta, para a maturidade geral do mercado de crédito estruturado brasileiro, ao reduzir ruídos de comunicação que poderiam, de outra forma, dificultar a comparação criteriosa entre operações estruturadas por diferentes instituições.

Perspectivas para a classificação de fundos estruturados no Brasil

Com a indústria de FIDCs brasileira ampliando sua diversidade de estratégias e atraindo um número crescente de investidores institucionais que comparam operações entre diferentes gestoras, a tendência é que a precisão na classificação de fundos estruturados siga como um elemento relevante de transparência para o mercado. Para administradores fiduciários especializados, assegurar a aderência contínua entre a categoria declarada e a estratégia efetivamente adotada deve continuar sendo um fator importante para sustentar a confiança de investidores na indústria de crédito estruturado.

Sobre a ID CTVM 

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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